De 11 a 15 de novembro decorreu a VII edição da Semana da Reabilitação Urbana do Porto, um evento organizado pela Vida Imobiliária e pela Promevi que somou este ano mais de 6.000 registos, consolidando a edição mais concorrida de sempre.

Esta foi «a maior edição que já organizamos, quer em termos de expositores, quer em registos», comentou António Gil Machado, diretor da Vida Imobiliária, fazendo um balanço muito positivo do evento. O Palácio da Bolsa foi palco de uma agenda de atividades que incluiu conferências, workshops, tertúlias ou exposições e um passeio a obras de reabilitação na Baixa da cidade, num total de 15 sessões e mais de 125 intervenientes, nos quais estiveram em destaque para temas como a habitação acessível, o novo regime legal da reabilitação urbana ou a organização territorial no Porto.

A Semana da Reabilitação Urbana do Porto contou este ano com os apoios da Câmara Municipal do Porto e da Associação Comercial do Porto. Saiba mais sobre o evento aqui.

Porto! De uma interrogação a uma certeza

«O PORTO HOJE JÁ NÃO É UMA INTERROGAÇÃO É UMA CERTEZA». QUEM O AFIRMA É RICARDO VALENTE, VEREADOR DO PELOURO DA ECONOMIA, TURISMO E COMÉRCIO NA CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO, QUE DEU INÍCIO À SESSÃO DA TARDE DE DIA 12 DE NOVEMBRO INTITULADA “WHY PORTO? A ATRAÇÃO INTERNACIONAL DO PORTO E O IMPACTO NO MERCADO IMOBILIÁRIO”. E SÃO VÁRIOS OS MOTIVOS QUE O AUTARCA MENCIONA QUE A SUSTENTAM.

A multifuncionalidade da cidade é um deles. Esta característica faz coexistir vários tipos de investimento em simultâneo na cidade, desde produtos turísticos, a investimento «puro em real estate», passando pelo investimento empresarial. E para que este último siga caminho, Ricardo Valente alerta para a necessidade de criar «novos e maiores escritórios», que apresentem localizações acessíveis à utilização de transportes públicos e de serviços. A qualidade das infraestruturas da cidade é também um ponto que favorece a mobilidade dos talentos que nela circulam. Os talentos são, aliás, um dos maiores ativos da Invicta, sublinha. E para geri-los a Câmara Municipal do Porto já está a desenvolver uma plataforma, a Porto.Fortalent. «Queremos desenvolver a cidade do talento. Mais do que a qualidade é a quantidade de talento disponível que torna Portugal único», revelou o autarca na ocasião. Entre os planos já definidos pelo município neste sentido está a expansão da Universidade do Porto e a criação de um campus internacional para acolher mais estudantes estrangeiros.

Esta última estratégia, aliada à abertura de novas escolas de língua estrangeira, unem-se para enfrentar o desafio que «passa por aumentar a comunidade estrangeira na cidade, que atualmente é pouco superior a 1%». Mais do que a comunidade internacional, a ambição da Câmara Municipal
do Porto passa por recuperar a demografia da cidade, que em 2016 atingiu os 214 mil habitantes. O seu «objetivo passa agora por alcançar os 300 mil habitantes no Porto», revelou. A estes motivos, o autarca soma ainda a tecnologia e a tolerância. «Esta última é um ativo que nunca devemos perder. Esta capacidade de acolher e integrar é fundamental. Uma cidade só
é boa para trabalhar quando é boa a receber. Uma cidade só é boa quando oferece boa qualidade de vida», explica. «Temos uma trilogia que faz do Porto uma cidade única. Temos tecnologia, temos talento e temos tolerância», remata.

NOVAS FORMAS DE TRABALHAR NO PORTO

Num momento em o empreendedorismo, as startups e as novas gerações têm vindo a mudar as formas de trabalhar, Leonor Magalhães da Blug e João Leite Castro, sócio da Predibisa, sublinham que hoje os espaços de escritórios devem ir ao encontro das novas necessidades dos trabalhadores.

Isto quer dizer que «hoje é importante criar edifícios onde as pessoas trabalhem felizes». Diversidade de ambientes e de espaços, soluções de mobilidade, boa localização e bons acessos a serviços são características que os trabalhadores hoje procuram nos seus espaços de trabalho. As empresas, por sua vez, reconhecem a necessidade de estarem conectadas, e procuram cada vez mais criar espaços «eco-conscious» e soluções coworking, para fomentar a criação de contactos. Para Duarte Aires, da Vetor Mais, «criar espaços de trabalho confortáveis para os colaboradores é uma forma de reter talento».

“Temos uma trilogia que faz do Porto uma cidade única. Temos tecnologia, temos talento e temos tolerância.”

Ricardo Valente, vereador do pelouro da economia, turismo e comércio na câmara municipal do Porto.

A concentração de talento foi, aliás, o «vetor estratégico» que trouxe a Critical Techworks para o Porto, revela na ocasião Paulo Guedes, Chief Financial Officer da joint venture criada entre a BMW (51%) e a Critical Software (49%). E, depois, segundo Carlos Góis, CEO da Geo Investimentos, a cidade reúne um «mix de vários fatores, como acessibilidade, preço e talento» ,que pesam na hora de escolher onde instalar uma empresa, como foi o caso da Sodexo. São estes mesmos fatores que farão as empresas investir em novos espaços de trabalho na cidade. Rui Ávila, administrador
do Grupo Ferreira, admite ter novos projetos de escritórios em carteira, localizados na Zona de Escritórios do Porto. Este é um mercado que está a crescer na Invicta, já que esta é uma cidade que consegue oferecer «uma qualidade de vida ímpar», reconhece Leonor Magalhães.

in Semana da Reabilitação Urbana do Porto 15 NOV 2019

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