Promotores dos projetos de escritórios alertam para os milhares de colaboradores a chegar à cidade e que precisam de casa.

Photo by Austin Distel on Unsplash
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O Porto e a região envolvente têm, em fase de construção, vários projetos de escritórios que vão fazer disparar as necessidades de habitação. Parte desta procura, mais de 20%, é constituída por colaboradores estrangeiros recrutados pelas empresas multinacionais que estão a instalar-se na cidade. 

O alerta foi dado pelos promotores presentes na conferência “Why Porto? A atração internacional do Porto e o impacto no mercado imobiliário”, realizado esta terça-feira (12 de novembro de 2019) no âmbito da Semana da Reabilitação, evento que conta com o Idealista, como portal oficial. 

 “São vários milhares de pessoas que estão a entrar no Porto e precisam de habitação”, destaca Tiago Violas Ferreira, CEO do grupo Violas Ferreira, um dos intervenientes presente na conferência, organizada com o apoio da Invest Porto, organismo da Câmara do Porto, e da Predibisa, e que reuniu vários dos promotores que estão a investir no segmento de escritórios. 

Para o promotor do mais recente empreendimento de escritórios, o POP – Porto Office Park -, localizado na Boavista e que está em fase de conclusão, é necessário que se pense em projetos de habitação “não só para a classe alta, mas sobretudo para a classe média”, defende. 

Tiago Ferreira dá, como exemplo, os cerca de três mil colaboradores que vão trabalhar no POP, dentro de poucos meses, os mais de 800 colaboradores da Farfetch, que já ocupam o edifício BOC (Boavista Office Center), no Foco, e os perto de 2400 colaboradores que vão ocupar os dois edifícios do ICON, projeto da Civilria, em início de construção, localizado a pouca distância dos dois anteriores. Apenas considerando alguns dos projetos mais emblemáticos localizados na zona da Boavista.

Investir na habitação para o arrendamento 

De acordo com investidor do POP, parte dos colaboradores que estão a ser contratados pelas multinacionais são estrangeiros que querem arrendar casas, especialmente durante os primeiros dois a três anos. Por isso, “é preciso apostar em residencial para o arrendamento”, reconhece João Nuno Magalhães, diretor geral da Predibisa. 

Também Artur Varum, CEO da Civilria, orador na conferência, reconhece a importância dos promotores avançarem com projetos na área residencial. Neste contexto, aponta o projeto ICON, em fase de construção e que tem aprovada uma torre para ‘apartment serviced’, com um total 176 apartamentos e tem previsto um conjunto de serviços de apoios permanentes, como receção e lavandaria.  

Embora o edifício assente no conceito de ‘build to rent’, que consiste na aquisição de frações do imóvel para arrendamento, Artur Varum confessa, “estamos ainda a estudar se colocamos o ativo no mercado ou se ficamos com ele”. 

Grupo Ferreira lança Prime ZEP em breve 

Numa altura em que o grupo Ferreira tem em fase de conclusão a reabilitação do edifício Palácio dos Correios, na Avenida dos Aliados, tem previsto para os próximos meses o avanço de um novo empreendimento de escritórios, o Prime ZEP, localizado na Rua Ferreira Dias, nas traseiras da refinaria da RAR Açúcar. 

De acordo com Rui d’ Ávila, o projeto de escritórios – localizado na Zona Empresarial do Porto -, tem já a arquitetura aprovado e aguarda a fase final do licenciamento para avançar com a construção. “Terá 21,600 m² de área, sendo que 18 mil m² são de escritórios e o restante para serviços, incluindo um restaurante”, destaca. 

Já o Palácio dos Correios apresenta a área de escritórios colocada na totalidade. A Critical TechWorks – que resulta de uma joint-venture entre a Critical Software e a BMW  – é a principal ocupante, com 12 mil m² de área, seguindo-se a Área Metropolitana do Porto (AMPorto), com dois mil m² e a Bold, consultores de serviços, com 500 m².  

Contudo, na sua intervenção, Rui d’Ávila destacou o facto de a população no Porto – apesar de apresentar um pequeno crescimento – é apenas de 220 mil habitantes, sendo que, a par de Lisboa, são as cidades com maior envelhecimento na Europa. Por isso, “era importante trazer uma instituição europeia, que trouxesse gente nova para a cidade”.  

Reabilitação de edifícios com grande expressão 

Outros projetos, especialmente na vertente da reabilitação, estão a avançar em zonas como Matosinhos, Boavista e mesmo no Bonfim. 

Carlos Góis, administrador a GEO Investimentos – empresa especializada na reabilitação de edifícios de escritórios – que colocou a Sodexo e está a terminar as instalações da Revolut, em Matosinhos – conta que, neste momento, tem “dois ou três projetos a avançar, numa área de cerca de 20 mil m²”, frisando que até ao final do ano estará concluída uma área de 10 mil m² ”. 

Ao idealista/news, Carlos Góis destaca que um desses projetos se localiza no Bonfim, com uma área seis mil m² e um segundo, na Boavista, junto da Avenida da Boavista, de cinco mil m². 

Na sua opinião, “a reabilitação de escritórios continua a ser uma boa opção”, especialmente devido à escassez da oferta e com a grande procura que apresenta este segmento. 

De acordo com João Leite Castro, diretor da Predibisa, neste momento, dos 815 mil m² que constitui a área total de escritórios do Porto – num total de 261 edifícios, 40% localizados na Boavista – 93,6% estão ocupados. Também na zona da Boavista, 52% dos edifícios apresenta uma qualidade A+B.

in idealista/news 13 NOV 2019

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