“Feridas da última crise não estão completamente saradas.

É um dos grandes promotores nacionais com alguns dos maiores projetos imobiliários no país, a Civilria ultrapassou a crise devido a uma estrutura sólida de capitais. Manteve-se fiel à construção nova e alerta para o facto de ainda existirem entraves no setor.

Foi um dos poucos promotores que sempre se manteve ativo mesmo nos momentos mais difíceis do mercado imobiliário. Atuando sobretudo a Norte do País, a Civilria nunca deixou de apostar na construção nova. Em Aveiro, no Porto e também agora em Lisboa.

Tem no seu portfólio alguns dos empreendimentos de maior qualidade do País, entre o Antas Premiére, mesmo ao lado do Estádio do Dragão, no Porto, o Lake I e II e o Mirador em Aveiro, o UNO al Mar, em Vila Nova de Gaia e muito outros que primam pela arquitetura moderna. Neste momento, tem pela frente um dos maiores projectos na Invicta, o ICON Offices e o ICON Apartments, num investimento de 60 milhões de euros. Localizado na Boavista, na cidade do Porto, o empreendimento é constituído por três edifícios, dois deles destinados a escritórios e um terceiro para serviced apartments. Os dois edifícios destinados a escritórios apresentam no total uma área de cerca de 24 mil m2. Um dos edifícios de escritórios será a futura sede no Porto da Ageas Seguros, um acordo assinado entre a Civilria e a seguradora do grupo Ageas.

Artur Varum, presidente Civilria, é um investidor que apostou sempre na construção nova e acredita que este percurso de sucesso se deve a um conjunto de factores. “Em primeiro destacava o produto Civilria, que considero diferenciado, o que nos permitiu continuar a vender sem redução de preços. Depois a capacidade de resiliência e criatividade dos colaboradores da Civilria em encontrarem as melhores soluções para o cliente, de forma a não perdermos vendas. E, ainda, a estrutura de capitais bastante sólida que nos permitiu ultrapassar a que foi considerada uma das maiores crises de sempre. Só em 2013 não tivemos resultados positivos em toda a história de 28 anos de Civilria”, explica.
 

A queda de empresas ‘intocáveis’

As diferenças entre antes e depois da crise são profundas. “Passámos de um mercado que era desenvolvido principalmente por promotores nacionais sem grandes necessidades de gestão, para um mercado onde predominam os grandes fundos internacionais e restam poucas empresas de cariz familiar e 100% nacionais, como a nossa. Durante a crise foi doloroso ver cair as empresas que desde sempre considerávamos ‘intocáveis’”, lembra.

Neste momento, a Civilria tem em desenvolvimento vários projetos, além do ICON Offices e o ICON Apartments. Em Lisboa estão prestes a concluir o POP Saldanha e o início dos trabalhos de um novo empreendimento, na mesma rua, o João Crisóstomo, 14.

Em Gaia/Canidelo estão em conclusão do edifício 3 e início do edifício 4, do empreendimento Uno al Mar. Localizado na primeira linha de mar vai custar 10 milhões de euro.

Em Aveiro, junto à Estação de Comboios e do novo Continente Bom Dia, numa nova zona da cidade, têm o empreendimento Blanc, com uma localização privilegiada e uma arquitetura simples e minimalista. No empreendimento Blanc concluiram o edifício dois, estandos em obra os edifícios 5 e 6 e a desenvolver o projeto dos edifícios 3 e 4.

No empreendimento DOCA, na praia da Barra, concelho de Ílhavo, estão com dois edifícios em execução. O lote dois está em conclusão é o três está em obra. É constituído por um total de nove edifícios. Uma lista de projetos que coloca a empresa como uma das maiores em Portugal.”

Entraves à promoção ainda persistem

Apesar da dinâmica atual do mercado, Artur Varum revela que existem ainda alguns entraves no desenvolvimento dos projetos, especialmente nos licenciamentos. “A morosidade na aprovação dos projetos é o aspecto que acarreta mais dificuldades na concretização dos investimentos.

Quanto ao futuro do setor, o responsável admite que temos um mercado limitado pela sua reduzida dimensão e “as feridas da última crise ainda não estão completamente saradas, principalmente na banca. Assistimos à chegada diária de grandes volumes de capital ao setor, destinados a empreendimentos de grande dimensão, que se destinam basicamente às mesmas pessoas que cá estavam no período da crise”, conclui.”

in JORNAL ECONÓMICO 19 ABR 2019

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