Descobri. O tipo da casa linda com varanda, aquela que fica do outro lado da rua , um andar abaixo da minha janela , é italiano . Só podia!
Contou -me o miúdo da loja das revistas internacionais e alternativas que fica ao pé da Gulbenkian. Ao que parece, já quase se tornaram amigos. Italiano e arquiteto! Terá vindo por dois anos para uma mega projeto, parceria entre dois ateliers de vanguarda, um luso e outro de Milano. Desenha, pinta e fotografa.
Quando lá chega a pé, para se aviar de imprensa branché, vem sempre de máquina ao peito, modelo retro que contou ter herdado do avô.
Que idade terá? 40 e poucos, diz o miúdo. 40 e muitos , diria eu.
Casado, dois garotos pequenos e uma mulher luminosa que uma vez por mês vem passar o fim-de-semana.
Ah! Penso eu! Daí o roupão dourado que vejo pendurado no quarto e que quase juro já o ter visto cheirar para sentir o perfume que agora sei ser dela. Estão apaixonados por Lisboa. E por uma casa assim, perfeita de tão pequena, confessou ele há dias! “Picola, picola! Piena di Luce e accogliente!” É de tal forma assim, explica me o rapaz, que combinaram que o fim-de-semana por cá será sempre a dois. Sortudos, digo eu!
E ouço a mota ao longe, aquele incaracterístico som das DUCATI. É ele! Que pinta!
Apaixonado por viagens de mota, continua o amigo, tão fascinado como eu.
Sabia que Michelangelo é a grande inspiração dele na parte interior do pulso, tem tatuado em italiano o lema do pintor que assumiu como seu.
Quando se cruzarem com ele nas escadas, e vos acenar com a mão direita para dizer CIAO, tentem ler “ancora imparo”.
Estamos sempre a aprender.

 

 

 

 

 

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